Entender como funcionam os impostos na Itália é essencial para qualquer pessoa que pretende morar, trabalhar, estudar ou abrir um negócio no país. O sistema tributário italiano é amplo, envolve diferentes esferas (nacional, regional e municipal) e afeta diretamente o planejamento financeiro de quem vive ou pretende viver na Itália — principalmente brasileiros em processo de mudança ou obtenção da cidadania.
Neste guia completo, você vai descobrir como os impostos na Itália são estruturados, quais são os principais tributos cobrados, como funcionam os impostos locais, o que muda para estrangeiros e como tratados internacionais podem evitar a dupla tributação. Se você busca clareza, organização e informações confiáveis antes de tomar decisões importantes, acompanhe todas as seções até o fim.
Como é estruturado o sistema tributário italiano
O sistema de impostos na Itália funciona de forma descentralizada: uma parte dos tributos é arrecadada pelo governo nacional, outra pelos governos regionais e outra pelos municípios. Essa divisão faz com que o valor de alguns impostos varie bastante entre cidades e regiões, especialmente no Norte e Centro do país.
Três órgãos desempenham papel fundamental no sistema tributário:
- Ministero dell’Economia e delle Finanze (MEF) – responsável pelas diretrizes fiscais nacionais.
- Agenzia delle Entrate – principal órgão arrecadador, responsável por fiscalizar declarações, emitir códigos fiscais e combater evasão.
- Regiões e comuni (municípios) – aplicam impostos locais, taxas de serviços e obrigações específicas conforme necessidades locais.
Com isso, viver na Itália exige atenção tanto aos tributos nacionais quanto às regras regionais, que podem afetar salário, propriedade, serviços e até aluguéis.
Principais impostos na Itália
Entre os impostos na Itália, alguns se destacam por incidir sobre renda, consumo e patrimônio. Cada tributo tem finalidade própria e regras específicas, e compreender essas diferenças é fundamental para prever gastos e cumprir obrigações corretamente.
IRPEF – Imposto sobre renda das pessoas físicas
O IRPEF é o principal imposto sobre rendimentos. Sua alíquota é progressiva, variando conforme a renda anual declarada. Ele incide sobre:
- Salários
- Rendas de autônomos
- Pensões
- Rendimentos ocasionais
Além das alíquotas nacionais, existem adicionais regionais e municipais, que podem elevar o valor total pago.
IVA – Imposto sobre Valor Agregado (equivalente ao IVA/ICMS/ISS no Brasil)
O IVA é um imposto sobre consumo, aplicado em praticamente todos os produtos e serviços vendidos na Itália. As alíquotas variam conforme o tipo de bem ou serviço, mas a mais comum é 22%.
Impostos sobre propriedade e herança
A Itália também possui tributos relacionados à propriedade:
- IMU – imposto anual cobrado sobre imóveis que não são residência principal.
- Imposto sobre herança – aplicado quando bens são transmitidos a herdeiros principais; as alíquotas são mais baixas que em outros países da UE.
Esses impostos impactam especialmente quem pretende adquirir imóveis na Itália ou trabalhar com investimentos imobiliários.
Impostos municipais e regionais na Itália
Além dos tributos nacionais, alguns impostos na Itália são administrados localmente e variam conforme a região e o município. Entre os principais estão:
IMU – Imposto Municipal sobre Imóveis
O IMU é aplicado a propriedades que não são consideradas residência principal. Ou seja, imóveis de veraneio, investimentos ou segunda residência. A alíquota é definida pelo município e pode variar significativamente.
TARI – Taxa de coleta de lixo
A TARI é cobrada anualmente e corresponde ao serviço de coleta e descarte de resíduos urbanos. Seu valor depende do tamanho do imóvel, número de moradores e município.
Adicionais regionais do IRPEF
As regiões italianas podem aplicar acréscimos ao IRPEF, o que significa que quem trabalha em regiões mais caras pode pagar valores mais altos do que quem vive em regiões mais baratas.
Tratados internacionais e dupla tributação
Para brasileiros que desejam morar na Itália, é essencial entender como funcionam os tratados de dupla tributação. Eles servem para evitar que uma pessoa pague o mesmo imposto duas vezes em países diferentes.
A Itália possui acordos desse tipo com diversos países, e isso facilita a vida de trabalhadores expatriados, aposentados, investidores e empresas que operam internacionalmente. No caso de quem possui cidadania italiana ou residência fiscal na Itália, é ainda mais importante entender como rendimentos de fontes estrangeiras serão tributados. Isso impacta desde investimentos no Brasil até imóveis alugados em território brasileiro.
Tabela comparativa dos principais impostos na Itália
Imposto | Tipo | Quem paga | Alíquota média |
IRPEF | Renda | Trabalhadores e aposentados | 23% a 43% (progressiva) |
IVA | Consumo | Consumidores em geral | 10% a 22% |
IMU | Propriedade | Donos de imóveis não residenciais | Varia por município |
TARI | Serviço | Moradores e empresas | Varia por cidade |
Imposto sobre herança | Patrimônio | Herdeiros | 4% a 8% |